O Outbreak é hoje uma das bandas de hardcore mais aclamadas dos Estados Unidos. Com seu estilo incomparável, a banda já rodou o mundo todo em turnê. Mas nem sempre foi assim; o vocalista Ryan O’Connor fala um pouco sobre as dificuldades no começo da banda e da vontade que tem de vir em turnê à América do Sul, um dos poucos lugares por onde a banda ainda não passou.
Iron Mind- Como o Outbreak começou? Foi difícil pra vocês, pelo fato de serem de uma cidade pequena?
Ryan O’Connor- Eu acho que as vezes é fácil começar uma banda com publicidade em cima, seja porque é formada por “ex membros de tal e tal” ou porque você é de uma cidade que produziu bandas bem estabelecidas e populares (às vezes populares até demais), como Boston. O Outbreak começou sem nenhum “ex-membro legal” e, porque viemos do estado de Maine, não fomos encaixados imediatamente na cena hardcore/punk, entende? Não existem muitas bandas que vêm de Maine, e é fácil discartar bandas e não dá-las uma chance quando elas vêm de uma cidade do meio do nada. Então as coisas não foram fáceis no começo, mas apesar de tudo, nós tinhamos conciência disso. Nós sabíamos que teríamos que viajar e tocar fora para começar a espalhar o nosso nome… algo que eu acho que maioria das bandas deveria tentar e fazer, ao invés de serem preguiçosos e esperarem que as coisas aconteçam para eles. Eu não sou o tipo de pessoa que espera e espera na fila por um favor… Lógico que nós conhecemos várias pessoas ótimas durante o nosso caminho que nos estenderam a mão e nos deram conselhos, mas independente disso, no fim do dia, eu sou o tipo de pessoa que faz algo, mantém-se nos seus objetivos e vai atrás deles. Não gosto de deixar nada pela metade. Então, quando você está motivado, acho que você consegue superar coisas como começar uma banda em um estado não tão popular e torná-la reconhecida. Só precisa de um pouco de esforço.
IM- Vocês vão viajar em turnê com o Madball em algumas semanas. Como você se sente viajando e tocando? Qual foi a melhor tour do Outbreak?
RO- Como eu me sinto em turnê? Dentro das circunstâncias certas, eu gosto muito. Poder cair na estrada com seus amigos, tocar músicas que empolgam as pessoas em uma nova cidade a cada noite e ainda ser pago por isso é uma coisa muito boa. É, na verdade, algo que eu vim sonhando desde que era realmente novo. Em uma escala muito menor que eu imaginava quando era menor e tinha Axl Rose como ídolo, mas ainda assim é muito bom! Mas não é sempre tão bom assim; pode, na verdade, ser a pior coisa do mundo também… São tantos dias seguidos que fica difícil aguentar ficar socado na sua van o dia todo, com cada coisa que as pessoas fazem lhe dando nos nervos; ou fazer um show para 30 pessoas e dormir no chão duro de madeira; ou quando a transmissão quebra no meio do nada. É nessas horas que você começa a questionar o que você está fazendo com a sua vida. Nós fomos sortudos o suficiente para passar por algumas das piores situações e as coisas não chegam nem perto de serem difíceis como costumavam ser, mas nós ainda temos uma ética de trabalho DIY. A melhor tour do Outbreak? Foram várias turnês que ficaram pra história. Nós viajamos por todo os Estados Unidos como o Wake Up Call (também tocamos com o Hour Of The Wolf nos shows da Costa Oeste) e foi muito bom. Eu amo essas duas bandas e cada indivíduo delas. Nossa tour de verão em 2006 com o Bane, o Modern Life Is War e o This Is Hell também se destaca. Australia foi divertido, Japão foi divertido, Coréia foi incrível, Reino Unido é sempre muito bom. Provavelmente há outra turnês que eu estou esquecendo também. Foram vários quilometros rodados em várias vans e eu não tenho exatamente a melhor memória do mundo…
IM- Quem teve a idéia de lançar um split com o Only Crime? Como tudo funcionou?
RO- O Aaron, do Only Crime, nos sugeriu a idéia. O Only Crime tem uma série de músicas não lançadas que dariam um album inteiro, então eles quiseram lançá-las em diversos splits 7″ em vários selos. O Outbreak teve a honra de receber essa oferta e é claro que dissemos sim. No entanto, nós não tinhamos nenhuma música não lançada para usar, então compusemos algumas e as gravamos exclusivamente para este split. Não pensamos duas vezes antes de fazer isso, eu amo o Only Crime e, honestamente, não há muitas bandas que eu me interessaria em fazer um split, mas o Only Crime é definifivamente uma das que me interessam. Além disso, foi perfeito pra mim, porque o meu selo ficou encarregado do lançamento.
IM- Eu ouvi falar que vocês gostam muito de andar de skate e eu conheço muitos caras que se envolveram no hardcore através do skate. Como vocês se envolveram no hardcore? O fato de andarem de skate tem alguma coisa a ver com isso?
RO- Sim, todos nós andamos de skate. Eu não posso falar pelos outros membros, mas eu me envolvi com o hardcore por causa do meu irmão mais velho. Ele sempre me levava para fora da cidade para ver as bandas que passavam por perto… foi um momento muito bom da minha vida. Meus pais eram tranquilos em relação a eu sair com o meu irmão, então eu podia viajar por até dois ou três estados para ir aos shows, o que você realmente precisa fazer se mora em Maine e quer ver shows. Isso era quando eu tinha 13 ou 14 anos, quando meus amigos não podiam nem sair do seu quintal. Desde então, eu me envolvi na música e nos ideais do hardcore/punk. Ao mesmo tempo, nós andávamos de skate todo dia. Eu ainda ando e amo o skate, mas esta era a época em que você é bem novo e está começando… sabe, andar de skate oito horas por dia. Isso foi no final dos anos 90, antes de haver pistas em cada vizinhança; nós tinhamos que viajar por todo o lugar para ver as novas pistas que surgiam. Então ambos cooperaram um com o outro para mim e provavelmente o mesmo tenha acontecido para os outros membros do Outbreak.
IM- Como é a cena nos Estados Unidos hoje? Quais são as bandas novas que nós devemos ficar de olho?
RO- Essa é uma pergunta difícil, pois há muitas cidades e estados diferentes. Você não pode julgar toda a cena Norte-americana. Seria uma generalização muito vaga. Alguns lugares são muito bons, com diversos entusiastas, várias bandas boas, enquanto outros lugares são completamente o oposto. E após algum tempo, esses lugares sempre mudam… novas bandas, novo público, ou às vezes uma falta de ambos. De cabeça, Saint Louis, o Sul da California, Seattle, Long Island e a maior parte do Nordeste parece tratar o Outbreak muito bem. Bandas que você deve ficar de olho? Last Of The Belivers é uma delas. É formada por Chris Chasse, do Rise Against/Reach the Sky, nos vocais e guitarra, Brett, do Ignite, e alguns outros caras; uma ótima banda de hardcore/punk melódico. Outras bandas que eu acho que todos deveriam dar uma olhada são Hour Of The Wolf, Wake Up Call, Far From Finished, Between The Wars, The Geeks, Bullet Treatment e Ambitions. Nenhuma delas é realmente nova, eles estão por aí há pelo menos um ano, mas são bandas que eu acho que precisam de mais reconhecimento e bandas que eu lancei. Você pode dar uma olhada nelas no site da Think Fast!: www.thinkfastrecords.com
IM- Vocês já foram à Austrália e Europa; vocês planejam vir à América do Sul?
RO- Não há nada certo, mas nós já discutimos maleavelmente a idéia com alguém que poderia estar interessado em nos levar. Quem sabe, mas nós absolutamente gostaríamos de fazer acontecer. Infelizmente, viajens como esta custam dinheiro. Custa muito caro levar quatro pessoas de avião de um país ao outro e ainda levá-los em turnê. Não é sempre fácil pagar os custos envolvidos quando você está lidando com uma comunidade menor e nenhuma das partes quer sair perdendo… Quem quer perder milhares de dólares? Então agora, está no ar. Talvez aconteça, talvez não. Teremos que esperar e ter uma idéia do fim financeiro das coisas. Eu gostaria de acreditar que de alguma maneira vai acontecer.
IM- Como você descreveria o Outbreak para o público sulamericano?
RO- Rápido, honesto, hardcore/punk. Não o “hardcore” ou o “punk” que você ouve no rádio e é enfiado na garganta de todos.
IM- Muito obrigado! Deixe algumas palavras aos seus fãs brasileiros.
RO- Nós temos fãs no Brasil? Isso é incrível! Obrigado ao Iron Mind por nos colocar em seu site! Apreciamos isso. Para quem nunca ouviu falar de nós antes, chequem nosso novo full lenght “Failure” (CD disponível pela Bridge 9, vinil na Think Fast!) e nosso último Split 7″ com o Only Crime (Think Fast! Records). Esperamos poder ir à América do Sul algum dia. É um dos únicos lugares que ainda não fomos e adoraríamos tornar isso realidade.
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http://www.myspace.com/outbreakhc



entrevista foda!!! banda foda!!!